quinta-feira, 18 de novembro de 2021

“ A pesca artesanal já não está a sustentar o país” / Debate sobre gestão dos recursos naturais


Painelistas: a esquerda para a direita: Vicente Lima - Associação de Pescadores de São Tomé e Príncipe,  Eugénio Nascimento – Secretario de Estado das obras Públicas, Ambiente e Ordenamento de Território,  Cecílio Elindo – ADRA Angola, Adilson da Mata – Director das Florestas e da Biodiversidade, Flascoter Hugo de Oliveira - Secretário regional para a Economia, Jorge Carvalho de Rio – Pres. MARAPA

 “A pesca artesanal precisa de um maior investimento, pois ela já não está a sustentar o país como anteriormente”. Palavras de Vicente Lima membro da associação dos pescadores e palaiês de São Tomé e Príncipe ouvidas durante  a conferência pública sobre “Ambiente e Gestão Sustentável dos recursos florestais, piscatórios e dos inertes de STP”.

Vicente Lima  que foi um dos oradores quis “ dar aos presentes a conhecer a realidade da nossa pesca artesanal e o que é possível fazer para tirar a pesca artesanal do marasmo em que se encontra. Como solução penso que é preciso uma melhor organização dos pescadores, é preciso um maior investimento na pesca artesanal porque ela quase que já não sustenta o país como anteriormente. Tem que se sair da pesca artesanal para semi-industrial. Eu também aconselho as autoridades a proibirem a pesca feita a poucas milhas da praia. Há muitos jovens da comunidade piscatória com nível académico necessário para que se possa ter uma formação na área do mar, não somente nas pescas mas também na navegação. Seria bom que houvesse uma escola náutica e isso seria uma forma de diminuir o desemprego e o desespero da camada juvenil que não consegue uma bolsa.”

 “A  gestão sustentável dos recursos florestais” esteve a cargo do técnico da direcção das florestas. Adilson da Mata disse que o debate correspondeu as expectativas e que demonstrou a “plateia e a população que os recursos florestais são esgotáveis e se continuarmos a explorá-los da forma que temos feito, vai chegar ao momento que não teremos mais recursos. Esta actividade foi uma oportunidade também para consciencializar a população que devemos gerir e aproveitar os recursos que temos a nossa disposição” avançou Adilson da Mata.

Seis painéis  marcaram esta  conferência pública , com uma plateia vasta e riquíssima, os  oradores  fizeram as suas abordagens ao volta do tema central.

O secretário de Estado das Obras Públicas, ambiente e Ordenamento de Território falou da extração de inertes em STP. Eugénio Nascimento fez um panorama daquilo que tem sido o problema no país e deixou algumas pistas para a sua resolução. Nascimento acredita que é preciso realizar “ atelier de educação e sensibilização sobre a extração de inertes, a adopção e implementação do plano nacional de ordenamento de território e actualização da carta geológica do país”

 A ilha do Príncipe foi convidada a dar a sua contribuição para a melhoria dos nossos recursos naturais. Flascoter de Oliveira, secretário Regional da Economia falou da experiência regional, das actividades desenvolvidas no quadro da sustentabilidade ambiental.

“Apresentando aqui a experiência do Príncipe, nós entendemos que deve haver uma mudança de todos de topo a base para que se possa de facto conquistar as melhorias ao nível da gestão dos recursos naturais de forma sustentáveis. Eu transmiti também as acções que nós temos implementado e com elas fizemos um plano de  desenvolvimento sustentável que é a agenda 20-30. E neste plano tem tudo o que Príncipe precisa  e que aspiramos para o futuro”

 Já o orador Manuel  Jorge de Carvalho da ONG MARAPA na sua intervenção destacou  sobretudo a necessidade “ de haver maior articulação entre os ministérios que lidam com as questões ambientais e recursos naturais. Segundo Carvalho o “ sector das pescas é que sofre com tudo isso.  É preciso também haver mais campanhas de sensibilização e educação ambiental “

 Os contributos da Adra de Angola na vertente dos recursos naturais também foram ressaltados pelo orador Cecilio Elindo.  Elindo aconselhou a “OSC a ser mais interventiva nesta questão de forma a ajudar  e pressionar as autoridades nacionais, uma vez que o país é de todos”

 Os participantes aplaudiram o debate e sobretudo a escolha pertinente do tema. 

“Eu achei muito interessante, principalmente porque falaram de muitas coisas que afectam nós as palaiês. Estamos a precisar de ajuda e eu gostei muito “ disse Alda de Apresentação

 “Foi uma conferência muito boa e deu para analisarmos o dia-a-dia do país principalmente ao nível do ambiente. Essa quinzena eu acho que vai ajudar-nos a encontrar algumas soluções  para o país e eu espero que os organizadores continuem com este tipo de evento “ avançou Lúcio Dias.

“Faço parte da ONG WACT do projecto sanguê e vamos agora começar um projecto de educação cívica e fazia todo o sentido integrar o plano para a cidadania. Achei muito interessante porque levantaram várias questões  cruciais para a sociedade de São Tomé     disse Joana Reis

A conferência foi óptima. As intervenções ultrapassaram as expectativas. A escolha do tema é importantíssima até porque houve a pouco a COP26 e é preciso que em São Tomé protejam e protejam o ambiente. Nós e o ambiente somos único. Por isso, temos que tratar o ambiente com o mesmo respeito que tratamos uns aos outros “ referiu Beatriz Pereira.

“ Cada um de nós saiu mais reforçado desta conferência tendo em conta os assuntos que chamam a atenção . E ao sair devemos levar essas preocupações as nossas comunidades, porque já sentimos o impacto e temos que agir como forma de ajudar o governo. Nós nas nossas casas, serviços, escolas e comunidades devemos ter um papel fundamental nessa matéria e falar dos cuidados que devemos ter naquilo que prejudica o desenvolvimento do país” disse Manuel Lopes.

A conferência  sobre “ ambiente e gestão sustentável  dos recursos florestais,piscatórios e dos inertes em São Tomé e Príncipe “ proporcionou um debate acesso e rico onde as contribuições irão ajudar as autoridades a melhorarem as estratégias neste domínio e ao mesmo tempo incentivar a população a participar mais. Mais participação, mais cidadania.

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