segunda-feira, 22 de março de 2021

Ilha do Príncipe foi palco de uma campanha de informação e sensibilização sobre a participação dos cidadãos no desenvolvimento

Da esquerda para a direita: Presidente do Governo Regional do Príncipe,
Filipe Nascimento, e Presidente da FONG, Cândido Rodrigues

 
A campanha de informação e sensibilização realizada pela Rede da Sociedade Civil para a Boa Governação chega a ilha do Príncipe com apresentação de estudos como a Monitoria aos projectos de Ajuda Pública ao Desenvolvimento no sector social entre 2012 e 2016, Condições de Monitoria da Governação Jurídica e Política em STP e um relatório sobre o Processo orçamental a nível local e central em STP, além da exibição de vídeo sobre os desafios do desenvolvimento do país tendo em conta a situação da ajuda externa.

A comitiva aproveitou para fazer uma exposição sobre obras públicas que mostra como é que as opções da governação interferem na vida das pessoas.

O Presidente da FONG, Cândido Rodrigues, na sessão de abertura, alertou aos presentes “que é muito importante e necessário estarmos preocupados com o desenvolvimento do nosso país. É preciso sabermos o que está a ser feito para darmos a nossa contribuição. E para isso, precisamos estar informados, sensibilizados e disponíveis. Ainda temos muitas dificuldades na obtenção de informações para os nossos trabalhos. E aproveitamos para pedir aos nossos dirigentes para que facilitem o acesso à informação para que a sociedade civil possa informar as pessoas para o fortalecimento da cidadania no país”.

O Presidente do Governo Regional, Filipe Nascimento, que presidiu a sessão de abertura, reconhece que “é com enorme satisfação que acompanhamos essa atenção que a FONG vem dando à Região Autónoma do Príncipe, nos colocando sempre na sua agenda. E isso nos faz sentir que Príncipe não está fora do panorama das actividades da FONG, o que nos orgulha imenso.”

Sobre a participação dos cidadãos no desenvolvimento do país, Filipe Nascimento afirma que “enquanto cidadãos, a FONG vem permitindo que tenhamos a oportunidade de participação na vida democrática do país. A democracia não se esgota no acto eleitoral. A componente de participação cívica contínua é muito importante. A FONG vem permitindo aos cidadãos a possibilidade de vigiar as nossas acções enquanto governantes e gestores da coisa pública. Mais de 90% do nosso orçamento provem da Ajuda Pública ao Desenvolvimento. O papel que a sociedade civil tem feito, permite com transparência a difusão de informações para que os cidadãos saibam de onde vêm os recursos e como são geridos.”

O orçamento é o principal instrumento de governação e , por isso, “é importante que os cidadãos saibam a sua importância. Nós programamos as nossas acções através do orçamento, mas quando olharmos para a sua execução, nem sempre é bem conseguido como gostaríamos. Os cidadãos devem ter a ousadia de perguntar aos dirigentes a razão da fraca execução e das promessas que não são cumpridas. E nós enquanto dirigentes, temos que ter respostas para dar. É fundamental que haja esse processo de difusão de informação, para nós também sentirmos que a população está atenta. Mas também é preciso uma população curiosa em obter informações para aumentar a pressão nos dirigentes de fazer as coisas bem feitas e gerir bem aquilo que é de todos nós”, concluiu.

No painel do debate, varias vozes se levantaram para falar da situação da Região Autónoma do Príncipe.

O deputado da Assembleia Legislativa Regional, Josias Umbelina, reclama que “na exposição, dizem que o hospital de Príncipe está concluído e precisa apenas de apetrecho. Esse hospital é uma vergonha para o Estado santomense. Já passaram vários governos e promessas atrás de promessas, mas tudo continua na mesma. Toda a ajuda que chega ao país devia ser bem distribuída a todo o país, mas ao Príncipe não chega quase nada. Tivemos um ano que aqui no Príncipe não se realizou nenhuma despesa de investimento. Basta ver a actual governação que já tem dois anos. O que foi feito aqui no Príncipe? O Príncipe não devia depender de boa vontade de alguns, quando a lei determina a distribuição justa de recursos a todos”.

Da esquerda para a direita: Presidente da Assembleia Legislativa Regional,
João Paulo Cassandra, e Presidente da FONG, Cândido Rodrigues

O Presidente da Assembleia Legislativa Regional, João Paulo Cassandra, que presidiu a cerimónia do encerramento, afirma que “o processo orçamental é complexo mas deve envolver todos para que saibam com o quê podemos contar para o nosso desenvolvimento. Nós, na Assembleia Regional, que temos a competência para aprovar o orçamento, vemos números mas, muitas vezes, também não fomos escutados para darmos as nossas contribuições. O povo que escolhe os dirigentes também deve ser ouvido. Para isso precisamos de uma sociedade dinâmica e critica para poderem contribuir da melhor maneira para a governação. Não será favor nenhum, os governantes darem informações e ouvir os cidadãos. É um dever que têm para com a população e é um direito que lhes assiste enquanto cidadãos”, pontuou.

Sobre os desafios da gestão de recursos públicos pelo país, Cassandra concorda que “continuamos a ser um país de mãos estendidas e quem nos dá precisa saber como é que estamos a gerir. Ainda somos um país com muita gente a viver no limiar da pobreza pela má gestão dos recursos que são colocados a nossa disposição, e isso descredibiliza o nosso país e nos coloca numa posição difícil na captação de recursos externos”.

Esta acção foi organizada no âmbito dos projectos Mais Participação, Mais Cidadania e Sociedade Civil pela Transparência e Integridade, com o apoio da União Europeia e da Cooperação Portuguesa.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Sociedade Civil capacitada em mecanismos de análise orçamental


Entre 25 de Fevereiro e 02 de Março, cerca de 20 membros das organizações da sociedade civil santomenses participaram numa acção de formação sobre mecanismos de análise orçamental, em São Tomé.

A formação de 4 dias serviu para munir os membros da Rede da Sociedade para a Boa Governação de instrumentos que vão auxiliar nos exercícios de análise do OGE para fins de posicionamento público em diferentes sectores suportados por dinheiro público. Trata-se de reforço de competência na monitoria do OGE, tendo em conta diferentes metodologias a partir das quais se pode analisar e avaliar em que medida uma política pública e o OGE respondem aos desafios assumidos pelo país tanto no âmbito interno como no âmbito externo.

O Director-geral da ONG ADRA-Angola, Carlos Cambuta, que foi o facilitador desta acção de capacitação, referencia que “a formação centrou-se em três módulos. O primeiro abordou sobre generalidades do OGE, com ênfase na tipologia orçamental. O segundo módulo cingiu-se sobre a análise orçamental, isto é, verificar em que medida o governo os ODS definidos como prioritários na governação de STP estão reflectidos no OGE que é o principal instrumento de gestão política, económica e social do país. O terceiro módulo olhou para a necessidade de monitoria orçamental com destaque para a monitoria das receitas públicas e da implementação de programas inscritos no OGE”.

Sobre os desafios da sociedade civil santomense no acompanhamento da governação, Cambuta considera que “o contexto político, económico e social imposto pela pandemia da Covid-19 exige da parte das OSC a actualização permanente de conhecimentos para que estejam a altura de influenciar as agendas políticas locais. Neste sentido, a FONG-STP e ACEP estão de parabéns por ter proporcionado às organizações membros da Rede da Boa Governação momentos de capacitação e reflexão sobre a análise e monitoria orçamental no contexto de STP”, concluiu.

Um dos formandos, Júlio Lima, da Fundação Novo Futuro, afirma que “como cidadão comum percebi como é importante ter acesso a esses conhecimentos sobre as diversas formas que podemos olhar para um orçamento para poder fazer a sua análise no sentido de estar atento a coisas públicas porque são nossas coisas", pontuou.


Com estes conhecimentos, a Rede tem instrumentos para inaugurar uma nova etapa na sua missão. Fazer posicionamentos públicos sobre os OGE, durante a sua planificação e execução, é, a partir de agora, um desafio possível que ganha a certeza com esta formação.

Com o apoio financeiro da UE e da Cooperação Portuguesa, a acção surge no quadro do projecto Sociedade Civil pela Transparência e Integridade, um projecto da parceria entre a FONG e ACEP que tem um dos grandes objectivos reforçar a competência de trabalho em rede das organizações da sociedade civil em São Tomé e Príncipe.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A Rede da Sociedade Civil pela Boa Governação realiza campanha de sensibilização sobre a participação dos cidadãos na governação



No âmbito dos projectos Mais Participação, Mais Cidadania e Sociedade Civil pela Transparência e Integridade, a Rede da Sociedade Civil para a Boa Governação e as organizações parceiras dos projectos desenvolveram em São Tomé uma campanha de sensibilização e advocacia cujos principais públicos foram os líderes comunitários, Associações Comunitárias e as Autarquias Locais. A campanha percorreu todos os distritos do país, onde foram apresentados estudos como a Monitoria aos projectos de Ajuda Pública ao Desenvolvimento no sector social entre 2012 e 2016, Condições de Monitoria da Governação Jurídica e Política em STP e um relatório sobre o Processo orçamental a nível local e central em STP, além da exibição de vídeo sobre os desafios do desenvolvimento do país tendo em conta a situação da ajuda externa.

O Presidente da FONG, Cândido Rodrigues, explica razão de ser dessa campanha: “A FONG na qualidade da sociedade civil junto aos nossos parceiros mais concretamente a Cooperação Portuguesa e a União Europeia temos vindo a conseguir financiamentos para realizar alguns estudos e acções de monitoria a políticas públicas. E daí que tendo esses estudos e documentos na mão achamos por bem disseminá-los junto as comunidades. Queremos esclarecer tudo e ajudar-vos a entender os mecanismos de participação para que os conteúdos possam ser multiplicados”. 

O Vereador para a área social da Autarquia de Cantagalo, Batista Meneses, realçou na sua intervenção que toda a esperança em mudança do paradigma actual do distrito está depositada na juventude. Baptista Menezes sublinhou ainda “que acções do género engrandecem as comunidades, pois ajudam os líderes a serem mais participativos e consequentemente estarão melhores preparados para apoiar a comunidade”. 

O Presidente do Centro de Integridade Pública de STP (uma das organizações da Rede de Boa Governação), Deodato Capela, que apresentou o relatório sobre o processo orçamental a nível local e central em STP explica a importância desse documento no envolvimento dos cidadãos nas tomadas de decisões. “Uma das conclusões que podemos tirar de tudo isto é que devemos participar mais, participar da forma consciente e com dignidade. É preciso participar com conhecimento para trazer valor acrescentado. Sabemos que nas comunidades há líderes com muita capacidade. E nós sociedade civil continuamos a trabalhar e a trazer valias para essas pessoas. É importante as pessoas saberem quais são as fases fundamentais do Orçamento Geral do Estado, quais os princípios e como nós os cidadãos devemos participar; como devemos influenciar os nossos decisores. Quanto mais a população estiver preparada para dar o seu contributo, melhor será aproveitado o orçamento”. 

Capela conclui dizendo que através desse exercício a população conseguirá ter ferramentas para poder participar de uma forma mais eficiente, e daí, nós da sociedade civil não deixarmos de fazer o que somos chamados a fazer. Na apresentação destes estudos, pretendemos chegar a todas as comunidades de forma que eles possam conhecer a realidade do nosso país, os desafios que ainda temos para atingir o desenvolvimento e a participação das pessoas nesse processo. É preciso salientar também no acesso às informações encontramos muita, não é fácil”. 

Arminda Rolim, um dos membros da Rede de Boa Governação, presente nessa ronda aos distritos afirma que “é bom como estamos a vir para os distritos informar o trabalho que a sociedade civil fez nesses últimos tempos, para que as pessoas saibam na realidade o fluxo de apoio que recebemos e o povo informado é bom. Por questões de pandemia temos vindo a fazer actividades com pouca pessoa mas tem corrido muito bem. 

Yanira Tiny que apresentou o estudo sobre condições de monitoria da governação concorda que “ no caso do estudo de monitoria elaborado pela Associação das Mulheres Juristas é importante disseminar para que nós enquanto sociedade civil saibamos como monitorar a governação jurídica e política em São Tomé e Príncipe”. 

O Secretário Permanente da FONG-STP, Eduardo Elba, fez um balanço satisfatório deste ciclo de sensibilização que teve a duração de três semanas. “Nesta campanha que se traduziu na apresentação de quatro estudos, para além de uma abordagem teórica, permitiu-nos falar dos estudos de monitoria que temos. Os participantes interagiram muito bem. Globalmente reconheceram a importância desta informação, pois sem esta acção da FONG não estariam informados. Por isso nos pedem para realizar mais acções de género e em mais comunidades. Ficam-nos o desafio de trabalharmos mais com as câmaras e com os líderes comunitários para que haja mais proximidade. Para a ilha do Príncipe assim que a situação da pandemia estiver normalizada faremos deslocar uma delegação a região. Temos muitas actividades ainda e uma delas é o trabalho cuidadoso com as Câmaras Distritais que está numa fase inicial. No ano passado tivemos encontro com algumas Câmaras e este ano vamos continuar. Temos em carteira também uma acção articulada com o Ministério da Descentralização que visa criar um ambiente mais favorável para o exercício e a participação de diferentes actores na governação local.” 

Os participantes em Lobata enalteceram a iniciativa. 

Leyla Correia, Guadalupe: “De tudo o que eu ouvi, eu enteni que devemos participar mais, prestar mais atenção as coisas do país” 

Timóteo Rodrigues, Santa Lusia: “É de louvar esta iniciativa que a FONG tem estado a levar a cabo em todos os distritos. Essas informações são úteis, importantes para esclarecimento, e sobretudo para que o cidadão perceba até que ponto eles devem contribuir para que STP desenvolva. Eu vou sensibilizar os outros também para que juntos possamos levar STP para onde queremos. É preciso melhorar a justiça para que os recursos sejam melhor aproveitados”. 

Abílio Fonseca, Guadalupe: “Antes de Governo construir qualquer coisa, deve consultar a base para não aplicar mal os recursos. O mercado de Conde é um exemplo. Construíram o mercado sem falar com as pessoas e ninguém foi lá vender. Por sorte conseguiram aproveitar aquilo e hoje é uma escola.” 

Em Cantagalo, as preocupações recaíram sobre as dificuldades de articulação entre os governantes e a população. 

Carlos Afonso, Pedroma: “As comunidades não são levadas em conta em muitos aspectos. O Governo Central tem em marcha o Programa Família que tem como objectivo apoiar as famílias mais vulneráveis. Como é que o Governo identifica essas famílias sem a colaboração da Câmara e das Associações locais? Nos meios rurais, em Cantagalo, as famílias vulneráveis não receberam esse apoio. No entanto, vemos famílias que nem deviam receber na lista dos beneficiários.” 

Clementino Viana, Santana: “Foi feito um hospital em Santana que não sabemos a razão pela qual não funciona até hoje. Está virado ao abandono. É um hospital que devia servir este distrito e toda a zona sul do país. Na zona de Micondó-Santana a obra foi lançada para três meses. Fez-se a base toda e até hoje a estrada está na mesma, não tocaram. Os governos as vezes ouvem as nossas preocupações simulam fazer alguma coisa mas não terminam. A população pensa que o responsável da obra é que comeu dinheiro, quando não é isso. Por isso eu concordo, nós temos de acompanhar mais as coisas na nossa comunidade, sermos mais interventivo. Mas nem sempre temos apoio das câmaras, porque pedimos audiência e o autarca não nos atende” 

Sozilander Andreza, Uba-Budo: “A Câmara fez um Centro de Saúde na minha comunidade que não serviu porque não envolveu as pessoas. O Estado está a gastar mal o dinheiro do povo. “ 

Denilson Pereira, Santa Clotilde: “Posso dizer que nem a Câmara nem o Governo nos liga. Santa Clotilde é uma comunidade esquecida. As três necessidades básicas até agora não foram resolvidas: água potável, energia e a estrada. Os alunos percorrem longa distância até as escolas de San Fenícia, Algés e Liceu Nacional. E não temos um único transporte para apoiar os alunos e todos sabem disso e nada fazem.” 

A Rede da Sociedade Civil para a Boa Governação é uma estrutura da sociedade civil dinamizada pela Federação das ONG em São Tomé e Príncipe para realizar actividades de monitoria de políticas públicas, advocacia e influência política com vista a melhorar a governação, a transparência e a prestação de contas em São Tomé e Príncipe. 

Esta campanha surge da sinergia entre os projectos Mais Participação, Mais Cidadania e Sociedade Civil pela Transparência e Integridade, ambos com o apoio financeiro da União Europeia e da Cooperação Portuguesa.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Estudo sobre as condições de monitoria da governação jurídica e política em São Tomé e Príncipe apresentado aos jornalistas

Da esquerda para a direita: Kotia Menezes, uma das autoras do estudo, Juvenal Rodrigues, Pres. da
Ass.de Jornalistas Santomenses, Domitilia Trovoada, Pres. da Ass. Santomense de Mulheres Juristas

Na recta final da segunda Quinzena da Cidadania, a Biblioteca Nacional foi palco de um atelier sobre “ as condições da Monitoria da Governação Jurídica e Política em São Tomé e Príncipe”. A sessão que contou com uma fraca participação dos jornalistas foi dominada por uma forte plateia dos estudantes da comunicação da Universidade de São Tomé e Príncipe.

“Não poderíamos deixar de realizar esta actividade porque achamos muito importante e pertinente que os jornalistas e vocês estudantes tenham conhecimento sobre esta temática”, disse Domitilia Trovoada, Presidente da Associação Santomense de Mulheres Juristas.

“O trabalho dos profissionais da comunicação Social e já agora tendo em conta que temos uma turma de estudantes, é importante perceber o quão diverso é a nossa actividade e o nível de responsabilidade que temos na divulgação ao nosso público. Este trabalho de investigação nos ajuda a ter pistas para outras actividades como documentários, reportagens que possam contribuir para elucidar a opinião pública sobre a nossa governação em termos de controlo. O papel dos profissionais da comunicação social acima de tudo é controlar em certa medida a acção governativa. Somos mediadores no sentido que levados informações entre os decisores e governantes. Gostaria de pedir a compreensão e atenção a vocês estudantes sobretudo para que absorvam o máximo possível. Esta parceria suponho que é bastante positiva e não deve ficar restrita somente a Quinzena da Cidadania. É uma parceria que deve ter um seguimento mais informal e havendo este intercâmbio, nós os profissionais da comunicação social poderemos entrar em contacto com a associação das mulheres juristas mais vezes para saber o que têm feito e como podemos divulgar as acções deste grupo de mulheres em prol de uma sociedade melhor, “referiu Juvenal Rodrigues, presidente da Associação dos Jornalistas São-tomenses


O estudo elaborado pela Associação São-tomense de Mulheres Juristas, no quadro do projecto Sociedade Civil pela Transparência e Integridade, uma parceria da FONG e ACEP, foi apresentado pela jurista Kotia Menezes que mostrou aos participantes a necessidade de haver maior participação cívica.

“Trata-se de um estudo que veio fazer o levantamento do papel da Sociedade Civil na questão da Monitoria das Políticas Públicas. Também definimos os poderes que o nosso Estado tem. O estudo é importante porque trás para a sociedade civil aquilo que eles devem fazer ao nível da Monitoria da Governação. Quais são as fases, quais são os processos.., enfim. Dá todo mecanismo necessário para que os cidadãos procedam a esta monitoria. Isto, um cidadão atento, informado pode contribuir melhor para a sociedade em que está, para aquilo que nós chamamos de Estado de Direito Democrático que é a participação activa do cidadão na política pública do país”, referiu.

Kotia Menezes sublinhou também que a sociedade civil deve ser “mais activa, saber de que forma ela está a trabalhar para que todas as reivindicações feitas sejam elas sanadas ao nível das políticas públicas que devem ser implementadas para o bem da colectividade.

Os participantes aplaudiram a iniciativa e garantiram que saíram do encontro mais esclarecidos sobre a matéria.
“O atelier vem dar pistas de como controlar, fiscalizar, monitorizar as acções por parte dos governantes. E neste encontro precisamente serviu para abrir o horizonte, saber os canais e como processar estas informações”
“O estudo vem chamar a atenção para estarmos atentos e informados sobre todas as demandas que ronda a sociedade civil”

“O atelier é de extrema importância para a sociedade civil, na medida em que nos dá passos e os processos da governação do nosso país, saber como é que isso está. Para isso, temos que ser cidadãos activos, informados para termos vozes, para falarmos. Eu gostei de participar. Tanto eu como os meus colegas de curso gostamos deste atelier. E como aluno da Comunicação Social, espero que isso sirva de um exercício para minha carreira estudantil”.

No atelier estiveram presentes jornalistas, membros da sociedade civil organizada, estudantes universitários, entre outros.

Casamento entre associações cívicas e rádios Comunitárias na promoção da Cidadania


A segunda Quinzena da Cidadania promoveu no distrito de Lembá uma campanha cívica sobre a relação entre as Rádios Comunitárias e as associações cívicas na promoção da cidadania. No encontro que decorreu no Salão Paroquial das Neves tomaram parte representantes das associações juvenis e estudantis, militares e paramilitares, confissões religiosas, poder local, etc. A conversa aberta permitiu troca de experiências e recolha de contributos para a melhoria da participação cívica no distrito.

“Esta sessão de debate promovida pela FONG-STP é um meio caminho andado. Porque com isso, podemos falar das nossas experiências, falar das dificuldades encontradas e isto pode nos incentivar ainda mais a continuar a realizar actividades de exercício da cidadania. De certa forma procurar também aproximar a mídia”, explicou Sebastião Pires, responsável da rádio comunitária de Lembá.

“ O que falta em Lembá é um líder, pessoa com a mão firme. Tudo não está no dinheiro, é preciso fazer-se mais, contribuir mais. Temos que ter um espírito transformador, porque este distrito tem vários problemas”, disse Joana da Conceição.

“As coisas estão neste leve-leve aqui. Este debate é precisamente para isso, para falarmos e nos ajudarmos para que as coisas melhorem em Lembá. Quero parabenizar os esforços da direcção da rádio comunitária que apesar de poucos recursos tem se esforçado para levar a informação para a população. Mas é preciso que todos se esforcem”, sublinhou Vitorino Almeida de Santa Catarina.

“Eu gostaria que a rádio comunitária de Lembá nos desse informações sobre a Covid-19, ou seja, número de casos que o país tem, situação do distrito como vemos na televisão”, disse Severino da Graça de corpo de bombeiros de Lembá.

“ O distrito de Lembá deveria ter melhores condições ao nível da Comunicação Social. Somos o segundo distrito que mais contribui para a economia do país, mas mesmo assim estamos para trás. As associações cívicas devem ser pró-activas, organizarem-se bem para também exigir mais”, sublinhou Idumeu Lima, vereador da câmara de Lembá.

Na sua intervenção, o presidente da Associação dos Jornalistas São-tomenses referiu a necessidade de cada um contribuir para a resolução dos problemas da sua comunidade.

“Não podemos continuar com esta cultura de esperar que o governo faça tudo por nós. Por exemplo,uma torneira avaria numa localidade, os moradores não são capazes de contribuir para a sua reparação.É preciso que nós próprios tentemos resolver os problemas da nossa zona ou comunidade,” disse este responsável.

Juvenal Rodrigues apelou ainda aos representantes das associações cívicas que “trabalhem mais, que promovam acções no terreno e contactem as rádios comunitárias para a sua divulgação. É muito importante divulgarmos as acções cívicas. Podem por exemplo gravar com o telemóvel, tirar uns apontamentos e levarem as rádios para que seja disseminado, porque temos correspondente da Rádio Nacional aqui. A documentação é muito importante, por isso vocês devem registar as vossas acções no terreno. Pois daqui há alguns anos estes documentos, fotografias,poderão ser importantes para se fazer o historial da vossa organização.

O representante da FONG no acto referiu a necessidade das associações ter mais espaços de diálogo, mais espaço para participação.

“ Nós votamos e escolhemos os nossos governantes. Mas é necessário que o governo ou o poder local eleito abra espaço para participação de outras pessoas e organizações. Estamos a falar de líderes comunitários, associações locais, etc. Vocês aqui têm uma rádio que funciona muito bem. Nós estamos a falar de mecanismos que podem ser usados também pelo poder para incentivar esta participação “ disse Alexandro Cardoso

As recomendações saídas desta actividade estarão espelhadas num relatório que será depois submetido as forças do distrito.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

“Juntos somos Poucos. É preciso que a FONG puxe mais pelas ONGs da Ilha do Príncipe”




Palavras do Presidente do Governo Regional durante o encontro que manteve esta segunda-feira, 23, com a equipa dos projectos Mais Participação, Mais Cidadania e Sociedade Civil pela Transparência e Integridade, que se encontram na região no âmbito da segunda Quinzena da Cidadania que decorre no país até dia 30.

Durante a audiência, os membros da equipa falaram um pouco sobre as actividades do projecto, da segunda Quinzena da Cidadania e o porquê da sua realização também na região Autónoma.

No uso da palavra o presidente do Governo Regional enalteceu o trabalho que a FONG-STP está a desenvolver no país. Filipe Nascimento disse que “juntos somos poucos. Por isso, é preciso que a FONG-STP puxe mais pelas ONGs da Ilha do Príncipe para que possamos melhorar os mecanismos de participação no país. E nós estamos disponíveis em apoiar. Quero-vos parabenizar pelo trabalho que têm feito e dizer que as Organizações da Sociedade Civil têm mais aceitação que os políticos.Vos encorajo a continuar e digo claramente que nós queremos fazer parte deste trabalho”, disse Filipe Nascimento.


A necessidade do Estado responder mais rapidamente à justiça na ilha do Príncipe, a falta de mais espaços de diálogo e participação das ONGs, campanhas de advocacia levadas a cabo pela Federação das Organizações Não Governamentais com o apoio dos seus parceiros e a monitoria aos orçamentos foram alguns dos assuntos aflorados neste encontro.

Cândido Rodrigues, presidente da FONG-STP, no balanço desta audiência com o presidente do Governo Regional sublinhou que o encontro foi “muito gratificante, pois colocamos o senhor presidente a par das nossas actividades, mas antes decidimos felicitá-lo pelo posto que ocupa agora. Falámos também das actividades em volta da Quinzena da Cidadania que vamos realizar também aqui na ilha. Ficámos satisfeitos também pelo facto do presidente do Governo Regional reconhecer esta nossa batalha que é lutar para melhorar o desempenho da cidadania ao nível de São Tomé e Príncipe. Fomos bem recebidos, foi uma conversa aberta, participativa e por isso, saímos muito satisfeitos.”

Em relação ao desafio lançado por Filipe Nascimento, o presidente da FONG-STP disse que “é uma mais-valia e por isso, a FONG estará comprometida com este desafio. Pois hoje se nós olharmos para o leque das nossas ONGs há poucas que são oriundas da ilha do Príncipe. E mesmo as poucas que existem quase todas estão adormecidas. Daí que há que juntar o útil ao agradável, todos juntos para que possamos reactivá-las e criar outras para melhorar a participação cívica contribuindo para o desenvolvimento da região e do país todo”.

Além deste encontro, a equipa realizou um seminário sobre “Os desafios da Participação Cívica e Política no Contexto Regional”, que teve como orador o presidente do Governo Regional, Filipe Nascimento, e onde foi apresentado o estudo sobre “Participação Política Económica e Social das mulheres São-tomenses”, bem como uma campanha cívica sobre abuso sexual dos menores.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Quinzena da Cidadania chega a Lembá para um dia dedicado aos direitos das crianças e jovens


O Salão Paroquial de Neves foi palco de um workshop subordinado ao tema “Crianças e jovens em situação de fragilidade antes e pós Covid”. Nesta actividade promovida no âmbito da Quinzena da Cidadania, tomaram parte cinquenta crianças e jovens de quinto e nono anos, professores e o poder local. O palco serviu para se debater a problemática da Covid-19 bem como as diversas formas de violência contra as crianças e jovens.

A procuradora do Ministério Público, Vera Cravid, através de linguagens simples e terra a terra, começou por explicar aos participantes a importância de se usar a máscara e se proteger da pandemia para depois introduzir questões ligadas aos abusos sexuais e maus tratos. “Não são os outros que vão nos salvar, nós é que temos de nos salvar. Se a mãe comprou máscara para mim então eu vou usá-la em todos os lados. Além disso, é preciso lavar sempre as mãos. Vocês precisam saber também que as crianças devem ajudar os pais em casa, mas não fazer trabalhos forçados como ir apanhar búzio sozinho desde manhã até a noite. Além disso, quero vos alertar para o abuso sexual. Vocês não podem deixar ninguém vos tocar, não devem receber nada na mão de pessoas estranhas. Não andem à frente do motoqueiro, sentem-se da parte de trás porque não se sabe quem é quem. E quando vocês forem abusados devem contar os pais, não podem sentir vergonha. E se for alguém familiar por favor conversem com o professor ou professora para se denunciar e resolver a situação”.

Vera Cravid
A oradora Vera Cravid disse ainda que a experiência com as crianças foi gratificante, pois foi possível “perceber que os participantes têm conhecimentos sobre Covid-19, têm noção que devem se proteger, que é o fundamental. É de salutar esse trabalho feito nas escolas, em casa pelos encarregados da educação que souberam transmitir estes ensinamentos aos meninos aqui do distrito de Lembá. Todas as crianças tinham máscaras, apesar de algumas terem dificuldades em ficar com ela mas aconselhamos e tudo se resolveu. Eu espero também que levem as informações aos pais, nós ainda estamos no estado de calamidade por isso é necessário que as pessoas se protejam e encarem a situação com seriedade e realidade”.

Os participantes aplaudiram a iniciativa e mostraram o que aprenderam:

“eu aprendi que é obrigatório usar máscara para não pegar a doença. A senhora falou também que não podemos autorizar pessoas a pegarem nosso corpo porque não sabemos quem é abusador”, disse Márcia Luís.

Joel da Fonseca aluno da nona classe disse que é importante “todos usarem a máscara para o bem do país. Aprendi também que não devemos receber coisas nas mãos de pessoas estranhas e também se alguém tocar o nosso corpo sem nossa autorização temos de queixar”, referiu.

Além de workshop a actividade em Lembá, o evento contemplou ainda a apresentação de um jogral sobre abuso sexual de menores promovido pelas crianças das fundações Novo Futuro e da Criança e Juventude.

“Para a fundação todas as actividades realizadas com crianças e para as crianças são muito importantes, porque é uma forma de nós transmitirmos os nossos conhecimentos e verificarmos aquilo que elas sentem para podermos actuar. Elas são crianças localizadas por pessoas ou instituição e nós fazemos o acompanhamento até as recebermos na fundação ou damos apoio se for o caso. Colhemos sempre algo com actividades desta natureza. Aqui por exemplo, vimos que é necessário se fazer mais trabalhos com os mais novos, porque o número de crianças que encontramos é incrível e elas estão motivadas por actividades desta natureza. Isso mostra que estão dispostas a aprender algo novo apesar de sentirem o isolamento,” explicou Dulce Gomes, presidente da Fundação Novo Futuro.


O vereador para a área social da autarquia de Lembá realçou na sua intervenção que toda a esperança em mudança do paradigma actual do distrito está depositada nas crianças e adolescentes.“É com estas crianças que vamos preparar um futuro melhor, vamos preparar a verdadeira mudança de mentalidade, uma cultura moderna para o distrito de Lembá. Capacidade económica somente não basta, é preciso a capacidade humana, ter uma riqueza da massa cinzenta”.



“História de Alguns de Nós” é uma exposição itinerante que esteve patente durante toda a actividade. São histórias contadas na primeira pessoa por várias crianças como o Abílio, um rapaz curioso que foi para a Fundação Novo Futuro com 11 anos e agora encontra-se na Universidade de Braga a concluir os seus estudos. Podemos ver também a história de vida da Marlena que vivia em Lucumi e foi para a Fundação à procura de melhores condições de vida. Das histórias retratadas nesta exposição, a história de Patrick, um menino vítima de abusos físicos é a mais fascinante. Narra a luta, a persistência e a esperança em dias melhores deste menino de 15 anos.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

É preciso introduzir no currículo escolar a “Educação para valores e cidadania a todos os níveis"


Palavras do deputado da coligação PCD-MDFM-UDD, Arlindo Carvalho, na cerimónia de lançamento do Estudo Diagnóstico sobre as Condições de Monitoria da Governação Jurídica e Política em São Tomé e Príncipe e o relatório sobre o Processo Orçamental a nível Central e Local em São Tomé e Príncipe. Um evento promovido no âmbito da segunda Quinzena da Cidadania que decorre no país.

Da esquerda para direita: Carla Neves e Kótia
Meneses, Waldyner Boa Morte e Daniel Ramos
O relatório sobre o Processo Orçamental a nível Central e Local em São Tomé e Príncipe apresentado espelha as várias fases do processo orçamental no país. Ou seja este manual explica com “ uma linguagem simples e de fácil compreensão aquilo que é o Orçamento Geral de Estado para a sociedade civil, para qualquer um que queira saber mais sobre este documento. Este relatório retalha as fases todas deste processo e como cada actor tem a sua participação. Podemos ver também nele como foi a execução orçamental em 2019 sobretudo como o governo aplicou as verbas para os diferentes distritos, quais os sectores em que as verbas foram canalizadas” explicou Waldyner Boa Morte, autor do relatório.

A criação de condições e adopção de políticas públicas que facilitem uma maior participação dos cidadãos na elaboração e execução do OGE , maior divulgação deste instrumento, maior participação e envolvimento da sociedade civil em diferentes etapas do processo orçamental e necessidade de se produzir no país um orçamento do Cidadão que é um instrumento de simples compreensão que facilita qualquer pessoa a tomar contacto com o que vem no OGE são algumas das recomendações saídas deste relatório.

Durante o debate, várias vozes se levantaram sobre a necessidade de haver maior divulgação das acções que realmente importam a população.

Deputado da coligação PCD-MDFM-UDD,
Arlindo Carvalho
 O deputado Arlindo Carvalho disse que os cidadãos não conhecem a realidade do país que pretendem transformar e as “ instituições não estão preparadas ou seja, não sei se estão preocupadas com os mecanismos que possam levar o cidadão comum desde o pré-escolar até os mais velhos a entenderem o que é São Tomé e Príncipe. Porque a partir do momento que esta compreensão for mais clara e mais transparente as pessoas estarão em condições de contribuir para entenderem tudo isto com transparência e poder participar. Espero que possamos usar as nossas influências para que ao nível da educação se possa alterar o currículo escolar e introduzir esta questão dos valores e cidadania nos currículos para a mudança de mentalidade. Penso que nós iremos trabalhar neste sentido”,disse o deputado Arlindo Carvalho.

“Também partilho a opinião de que as crianças têm que ter a noção daquilo que é o país. Quando chegamos o momento da discussão do OGE em que o ministro das finanças fala de São Tomé e Príncipe em números eu entro em pânico porque é um país que não tem como fazer face as suas despesas. E cidadão não sabe disto, nem sei se o cidadão está interessado em saber. O cidadão nem se preocupa com o filho que está na escola, quanto é que custa formar o filho desde a infância até que ele fique um doutor. É preciso fazer um trabalho de fundo. Todas estas informações apresentadas nos documentos devem ser do conhecimento do cidadão. Por exemplo os alunos universitários quando estão a fazer um trabalho de pesquisa vão as instituições mas não conseguem informações porque os serviços não dão. Mas não dão porquê? Muitas vezes a execução Orçamental está abaixo de 50% porquê? Porque muitas vezes o país quando elabora o orçamento tem lá fundos que nem sequer existe , que está com a mão estendida a espera que o parceiro lhe mande e o fundo não chega. É preciso levar estes estudos e disseminar nas escolas, comunidades e outros palcos de forma a mudar a mentalidade”, defendeu o deputado Raúl Cardoso

“Nós vimos aqui no relatório estas acções de participação do cidadão no processo orçamental mas sabemos que não passam de acções de divulgação de advocacia mas que na prática o cidadão não tem acesso ao processo da feitura do orçamento, como por exemplo o orçamento de género que é uma temática que estamos a discutir bastante. Como é que com essa falta de informação que nós temos como os cidadãos e os serviços fechando como fecham , como vamos equilibrar a participação efectiva do cidadão?”, questionou Célia Posser

“É uma actividade importante porque os documentos apresentados explicam ao meu ver o que a sociedade civil pode fazer mais para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. A FONG está a melhorar aquilo que é o trabalho da Quinzena. Está a haver mais divulgação de acordo a experiência anterior, para que a população e as autoridades possam contribuir e colaborar com a sociedade civil para o engrandecimento do país. As pessoas estão a participar mais. A organização está de parabéns também pela escolha dos documentos apresentados hoje, pois houve debate e troca de ideias sobre o orçamento e governação e é disto que precisamos. Espaços desta natureza devem ser criados mais vezes” sublinhou Emídio Pereira

O evento foi também palco para a apresentação do estudo Diagnóstico sobre as Condições de Monitoria da Governação Jurídica e Política em São Tomé e Príncipe. O documento tentou “ trazer a luz a questão da necessidade de maior envolvimento da sociedade civil em todo ciclo da análise das políticas públicas. O que constatamos é que existe uma intervenção tardia por parte da sociedade civil. A Sociedade civil é chamada a participar já numa fase final e muito poco pode fazer em relação a melhoria de muitos documentos que comportam as políticas públicas. De ressaltar que estamos a falar de questões de interesse público como a integridade pública, transparência, Boa Governação e corrupção. Um conjunto de elementos que incorporam aquilo que se entende como uma política pública eficaz. Aproveitamos para dar nota positiva aos promotores da quinzena. Pois é importante trazer estas questões para o conhecimento público”, disse Carla Neves em representação da Associação das Mulheres Juristas que elaborou o estudo.

Os documentos que foram apresentados nesta actividades resultam do trabalho em curso no projecto Sociedade Civil pela Transparência e Integridade. O grande objectivo deste projecto é promover a “ participação da sociedade civil na governação do país, ou seja, promover os valores de integridade e melhorar os mecanismos de luta contra a corrupção em São Tomé e Príncipe. O projecto também tem um grande objectivo que é o reforço de trabalho em rede das organizações da sociedade civil que se traduz na estratégia de articulação entre diferentes organizações da sociedade e os decisores de forma a marcar a sua posição enquanto sociedade civil que acompanha a governação no país” disse Alexandro Cardoso, coordenador do projecto.

Ainda no quadro da quinzena está previsto a realização de um debate televisivo sobre a “ governação participativa” e exibição de vídeo sobre “a monitoria da ajuda ao desenvolvimento”. Na próxima segunda-feira dia 23, a caravana estará na ilha do Príncipe para a divulgação da quinzena.

Abertura da conferência sobre “Cooperação em Tempos de Pandemia” sublinha papel da sociedade civil no processo de Desenvolvimento

Da esquerda para a direita: Adido para a Coop. da Embaixada de Portugal em STP - António Machado
Ministro dos Assuntos Parlamentares, Reforma do Estado e Descentralização - Cilcio Santos
Presidente da Federação das ONG em STP - Cândido Rodrigues
A conferência pública A Cooperação em Tempos de Pandemia é uma das actividades mais importantes desta segunda edição da Quinzena da Cidadania. Trata-se de um espaço para debates francos, discussões e recolha de contributos com vista a melhorar a participação do cidadão e cidadã na vida política do país.

Na sua intervenção, o presidente da FONG-STP, Cândido Rodrigues, realçou o contributo que a Federação tem dado para o engrandecimento da participação e cidadania no país: “queremos com todas as nossas acções contribuir para o desenvolvimento de um Estado transparente, o que deve constituir um compromisso inadiável para todas as forças do quadrante político e social para que tenhamos um país próspero que não deixa ninguém para trás. A arte de gerir torna-se determinante para o sucesso ou fracasso de uma nação, num país que depende muito dos outros para o seu desenvolvimento. A gestão transparente dos recursos públicos e o fortalecimento da democracia são essenciais para caminharmos rumo ao futuro desejado”.

Por seu lado, o adido para a Cooperação da Embaixada de Portugal, António Machado, sublinhou que a Cooperação Portuguesa atribuiu uma grande importância ao contributo da sociedade civil para o desenvolvimento sustentável e a “FONG tem um papel importantíssimo nessa matéria, promovendo a cidadania e tendo já um lugar cativo no contexto nacional no que toca a monitorização orçamental e das políticas públicas e a promoção da boa governação. Quero aqui também expressar a excelente relação existente entre a FONG e a ACEP. Pois juntos têm conseguido desenvolver importantes iniciativas ao nível da sociedade civil e dos Direitos Humanos destinadas a melhorar os mecanismos da participação cívica e contribuir para a melhoria do processo democrático no país em domínios fundamentais para o desenvolvimento equitativo e sustentável”.


António Machado referiu ainda que a FONG, em parceria com a ACEP têm desenvolvido ainda vários projectos destinados a reforçar as competências técnicas das organizações da Sociedade Civil São-tomenses, apostando por isso na formação, no intercâmbio de experiências e no diálogo entre os diferentes actores de forma a reforçar o grau de intervenção da Sociedade Civil no processo de concepção,implementação e avaliação de políticas públicas”


A directora da ACEP, Fátima Proença, não pôde estar presente na abertura da conferência, tendo enviado uma mensagem lida por Dulce Gomes da Fundação Novo Futuro. Para Fátima Proença, " as ONGD internacionais continuam a ter um papel central no apoio aos seus parceiros locais com quem trabalham regularmente na defesa e monitoria dos direitos cívicos, sociais, económicos e culturais das populações. Só que a crise sanitária veio dificultar o acompanhamento presencial das actividades e projectos, acabando por reactivar um debate com décadas sobre a prática dominante na Cooperação para o Desenvolvimento: nesta relação quem é que tem o poder para liderar e controlar o desenho e implementação das actividades e projectos? De facto, se as parcerias construídas não permitirem que sejam os parceiros locais a assumir a liderança e controlo das actividades e projectos, bem como a resposta à crise, eles simplesmente param e as organizações locais são asfixiadas”.

Fátima Proença realçou também que a localização da cooperação tem marcado o trabalho da ACEP iniciado em 1997, procurando a construção, com os seus parceiros, de uma visão partilhada do caminho e dos processos, não limitada aos horizontes temporais de cada financiamento, sem pressa para mostrar resultados visíveis, favorecendo redes colaborativas e processos de intercâmbio, geradores de confiança. Para a ACEP, “esta localização da cooperação requer condições de diálogo permanente e sem prazo, condições de entreajuda, sem delegações/escritórios locais ou colocação de expatriados. Esta tem sido a base da experiência de trabalho com a FONG e outros parceiros santomenses, em cerca de uma década de cooperação: pensar e projectar em conjunto, procurar soluções e imaginar iniciativas, reforçar competências técnicas especializadas, garantindo durabilidade”.

A sessão de abertura ficou marcada também pela intervenção da Embaixadora da União Europeia para São Tomé e Príncipe e Gabão, Rosário Bento, que falou via Zoom a partir de Libreville. A diplomata da União Europeia afirmou que “durante estas duas semanas irão debater questões muito importantes para a União Europeia que são as diversas formas de participação e cidadania em São Tomé e Príncipe e também o papel da sociedade civil na monitoria das ajudas públicas. Desejo-vos boa sorte, pois esta iniciativa, este projecto está dentro do projecto financiado pela União Europeia que se estende até o final deste ano. Eu gostaria de realçar outras actividades que vão ser desenvolvidas e que são de extrema importância em particular neste tempo de pandemia. O papel das organizações da sociedade civil é muito importante na procura de melhores soluções que correspondam às necessidades políticas, económicas e sociais, ou seja, as ONGs precisam criar ou procurar reforços conjuntamente para em nome da justiça, da igualdade e da solidariedade influenciar as instituições e decisores a fazerem mais e melhor em defesa da população”.

O Ministro dos Assuntos Parlamentares e Descentralização Cílcio Santos que presidiu a cerimónia de abertura desta conferência disse que “esta conferência pública é uma das actividades mais importantes desta quinzena tendo em conta os debates e os documentos apresentados sobre a cooperação em tempos da pandemia. Esta questão é essencial, pois de forma inequívoca Covid-19 veio mostrar que nenhum país pode caminhar só, particularmente nosso São Tomé e Príncipe que releva várias fragilidades. Cilcio Santos sublinhou também que “neste quadro de trabalhos desenvolvidos pela FONG pode-se constar a solidariedade, o envolvimento de São Tomé e dos parceiros no combate ao Coronavírus. Auguro que durante esta actividade possamos recolher contributos que ajudarão o governo a trilhar o caminho na luta pela prevenção e combate a Covid-19”.

Esta Quinzena da Cidadania de 2020 contempla ainda uma série de actividades que vão desde palestras, workshops, debates televisivos e peças de teatro.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

"São Tomé e Príncipe tem que repensar sobre a dependência de apoio externo"


O segundo dia da Quinzena da Cidadania foi marcado pela conferência pública A Cooperação em Tempos de Pandemia, que reuniu na Universidade de STP a sociedade civil, decisores políticos, investigadores, jornalistas e outros membros da sociedade santomense. A sessão acolheu ainda a apresentação do Relatório de Monitoria da Ajuda ao Desenvolvimento nas áreas da Saúde, Educação e Protecção Social (ver aqui).

Numa altura em que o mundo é dominado pela Covid-19, a coordenadora Interina do Sistema das Nações Unidas em STP, Katarzyna Wawiernia, disse na sessão que está na altura para o país repensar a dependência face ao apoio externo: “É um momento de reflexão. O mundo é cruel e cada um tem que lutar pelo seu espaço. Precisamos de pessoas que acreditam, que lutam. Imaginem se voltarem a fechar a fronteira? Tudo é importado no país, não pode ser assim. Chegou o momento de mudança, de reflexão. O PNUD e outros organismos também têm o seu papel e vamos procurar formas de proporcionar mais espaços para a Sociedade Civil. Mas é preciso liderança em todos os vértices da sociedade. Não se pode esperar só pelo governo. A sociedade civil trabalha com as comunidades, por isso, tem o papel de motivá-las. Muitas soluções dos problemas deste país estão lá. Se o sector privado, as comunidades trabalharem e criarem empregos, deste jeito o governo terá monitoria séria. Encorajo mais acções por parte da Sociedade Civil de STP”, referiu.

A mudança tem também que acontecer na área da cooperação. É preciso pensar na cooperação como uma rede de múltiplas parcerias. E o governo desde o início da pandemia “tem trabalhado com os seus parceiros em busca de ajuda e soluções para combater a Covid-19. Prevê-se que a capacidade de acção e resposta das lideranças das potências nacionais e internacionais na gestão desta crise definirá a dimensão dos efeitos ao nível económico e social. A cooperação nos vários domínios é e será imprescindível quanto a monitorização de recursos financeiros e materiais através de relações bilaterais e multilaterais com os parceiros já identificados e prevê-se novas parcerias”, sublinhou Abigail Tiny Cosme terceira secretária do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

António Machado, adido da Cooperação Portuguesa em São Tomé e Príncipe, também um dos oradores, enalteceu a importância de cooperação em tempos de pandemia, destacando que “é de extrema importância essa cooperação no tempo em que nos encontramos. E Portugal tem ajudado São Tomé e Príncipe no possível. Desde as primeiras horas quando foi diagnosticado o primeiro caso aqui, ofertámos ao governo cinco mil máscaras para a distribuição à população. Desde então que temos feito o possível e é importante realçar que houve uma grande mobilização de sociedade civil, os residentes na diáspora… todos movidos por uma causa e isso é de muito bom”.

Durante a conferência que foi presidida pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares e Descentralização, Cilcios Santos, foi apresentado também o relatório de Monitoria aos projectos de Ajuda ao Desenvolvimento no sector Social no período 2012-2016. Um documento que visa contribuir para melhorar a governação e a prestação de contas da Administração Pública.

“O relatório diz que apesar das actividades dos programas de cooperação no sector social estarem alinhadas com as políticas de desenvolvimento do país, os mecanismos de gestão do projecto e programas com financiamento externo ainda não respondem adequadamente às necessidades de informação pública e que possa permitir o acompanhamento das acções da sociedade civil. A FONG vai continuar a marcar o seu posicionamento e o papel que a sociedade civil deve ter para o desenvolvimento. Tenho a acrescentar somente a necessidade de haver mais espaços para a sociedade civil, mais participação, mais espaço de diálogo entre a sociedade civil e as autoridades. É preciso que a sociedade civil não fique de fora”, disse Eduardo Elba, Secretário Permanente da FONG-STP.

Várias intervenções foram feitas durante a conferência, todas elas destacando a importância de haver maior participação da sociedade civil no desenvolvimento do país. Durante o evento foram distribuídos os briefings especiais sobre “Violência baseada no género em tempos de pandemia em São Tomé e Príncipe” (ver aqui), bem como a “Monitorização do financiamento atribuído a São Tomé e Príncipe em resposta à pandemia Covid-19”. (ver aqui)

Esta conferência pública insere-se na segunda Quinzena da cidadania, promovida pelos projectos Mais Participação, Mais Cidadania e Sociedade Civil pela Transparência e Integridade.