terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Camões faz acompanhamento dos projectos que financia

 

Missão Técnica do Camões faz o ponto de situação dos projectos que financia

 Uma missão técnica do Camões está no país para acompanhar os projectos que são co-financiados no âmbito das linhas do apoio às ONGs.Neste sentido reuniu-se com uma equipa da Fong liderada pelo secretário Permanente Eduardo Elba. No encontro também estiveram o representante da Associação dos Jornalistas São-tomenses, Juvenal Rodrigues e a ponto focal da Associação Santomense das Mulheres Juristas, Domitilia Sousa.

A FONG-STP fez uma resenha dos projectos desenvolvidos pela Federação das Organizações Não Governamentais com o financiamento do Camões, nomeadamente   o Observatório de Políticas Públicas e Governação e Construir Parcerias.


No final do encontro a responsável da missão de Camões Graça Rocha avançou que mais do que conhecer as pessoas que estão a frente dos projectos, o encontro serviu para “falar com elas e ouvir de viva voz aquilo que chega por via de relatórios. Tentamos fazer isso com alguma regularidade. É importante ter a percepção mais do que o relato do que vai no documento, e isso ajuda-nos muito,porque são também os relatos que depois permitem a progressão dos projectos a fim de várias fases posteriores. Sentados no escritório em Lisboa só não basta”, explicou

A missão de Camões estará no país até o sábado e dentro deste tempo tentará “ver o maior número de projectos possíveis, tendo em conta as localizações. Iremos aproveitar no máximo, vamos estar com parceiros locais e os beneficiários. Iremos também ao terreno ver o desenvolvimento de algumas acções”, concluiu Graça Rocha


De realçar que na missão técnica de Camões também fazem parte Inês Serrano, assessora para a cooperação, Paula Fernandes que faz o acompanhamento de projectos em São Tomé e Príncipe e Celeste Sebastião que é assessora de cooperação da embaixada de Portugal.

 



sábado, 21 de dezembro de 2024

Orçamento Participativo


6ª Quinzena da Cidadania promove Diálogo Institucional sobre o Orçamento Participativo (O.P.).

 No quadro das actividades da 6ª Quinzena da Cidadania, uma equipa deslocou-se a Neves, distrito de Lembá, onde reuniu com o presidente da câmara e alguns vereadores.
Este Diálogo institucional visou uma primeira abordagem para uma cooperação no que toca ao Orçamento Participativo. A ideia é no quadro dos projectos em curso, implementar o Orçamento Participativo junto da comunidade do respectivo distrito.


 

O autarca local, Guilherme Inglês, avançou ser uma iniciativa importante e que permite reforçar a participação dos cidadãos.
"A nossa gestão já levou essa tarefa em 2023. Percorremos todas as comunidades e recolhemos informações. O projecto não avançou devido à falta de financiamento. Em algumas comunidades conseguimos executar, mas em grande parte não. A capacitação de técnicos especializados nesta área é fundamental para nós. A falta de verbas dificulta o trabalho de atender às necessidades da nossa população. Estamos cá para colaborar e vamos identificar uma comunidade para que seja implementado o orçamento participativo”, disse.
Nelson Dias representante da ACEP e perito na matéria destacou que o Orçamento Participativo procura dar " resposta a uma prioridade da comunidade e que o projecto procurará mobilizar os recursos financeiros para o efeito. É fundamental discutimos com a comunidade o que consideram prioritário implementar tendo em conta o orçamento limitado que o O.P. irá mobilizar", frisou.
A ideia é fazer todo esse processo em 1 ano, segundo Nelson Dias.
" Um processo ponderado, realista, sem criar expectativas e num curto espaço de tempo", concluiu
Ficou acordado entre as partes a elaboração de um memorando de entendimento. 


No final do encontro foram entregues à autarquia um Atlas Mundial sobre o Orçamento Participativo e Guia para a Implementação do Orçamento Participativo.





sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Balanço da 6ª Quinzena da Cidadania

"Sociedade Civil São-tomense precisa ser mais activa"

Declaração da vice-presidente da Federação das Organizações Não Governamentais FONG-STP no balanço da 6ª Quinzena da Cidadania que esta quinta-feira chegou ao fim.
Arminda de Jesus no seu balanço avançou que apesar de todos os temas terem sido escolhidos pela sociedade civil, houve uma fraca adesão da população e das organizações da sociedade civil nas actividades.
“Infelizmente não houve participação activa da sociedade civil. Isso é mau. O envolvimento das associações já não é o mesmo como anteriormente”, lamentou Arminda Bom Jesus
A vice-presidente da Federação das Organizações Não Governamentais disse ainda que é preciso fazer uma reflexão sobre o assunto.
“Não é só quando os membros querem os documentos da FONG-STP para participarem numa candidatura é que vão bater a porta da FONG. As organizações estão lá, têm um propósito e devem participar mais. A FONG-STP está restrita a 5,6 organizações que participam em quase tudo”, referiu

Uma situação que segundo Arminda Bom Jesus terá que ser resolvida brevemente.
“Estamos a pensar fazer um retiro em meados do próximo ano para discutirmos abertamente com os membros. Para cada um expor o que está mal na FONG-STP, exprimir os seus problemas, para tentarmos melhorar e avançar. Mas para isso, estamos a correr atrás de um financiamento para nos permitir ficar pelo menos dois dias em retiro sem interrupções. A sociedade Civil são-tomense já estava mais activa , então temos que mudar este cenário”, concluiu Arminda Bom Jesus
Recorde-se que a 6ª Quinzena da Cidadania decorreu de 15 a 28 deste mês sob o lema “Vida Digna e Participação”. Diversas actividades foram realizadas com destaque para apresentação de relatório sobre a situação dos direitos humanos no país, Workshop sobre assédio, exibição de documentários, torneio de futsal entre crianças vulneráveis e feira de livros.
A 6a Quinzena da Cidadania foi uma iniciativa da FONG STP, da Associação para a Cooperação Entre os Povos, da Associação dos Jornalistas Santomenses e da Associação Santomense de Mulheres Juristas, à qual se associaram outras organizações da sociedade civil e contou com apoio da União Europeia e da Cooperação Portuguesa.






sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Documentário : " Entre dois mundos"

 



“ Entre dois Mundos”: Histórias de emigração de São Tomé e Príncipe a Portugal

No quadro da 6ª Quinzena da Cidadania que decorre no país, o Centro Cultural Português foi palco esta tarde da exibição do documentário intitulado” “ Entre dois Mundos”: Histórias de emigração de São Tomé e Príncipe a Portugal de autoria de Dário Paraíso e Katya Aragão.
“Procuramos essencialmente entrevistar pessoas que estão em Portugal há menos de três anos e mostrar de facto um pouco da realidade. Temos o sonho de sair da ilha e ir experimentar outro lado mas muitas vezes não sabemos o que nos espera do outro lado da ilha”, explicou Katya Aragão
Já Dário Paraíso alertou para a forma como essa emigração tem sido feita.
“É muito triste, muito preocupante, porque emigrar-se sem saber as condições, para muitas vezes ir viver uma situação mais precária em Portugal acaba por afectar muitas anoances da nossa sociedade. Há muita gente que não tem noção e faz isso sem avisar ninguém”.
Depois da exibição do documentário houve um debate exaustivo a volta do tema, apesar da plateia não ter estado muito cheia, dado a relevância do tema.

A ex directora do INPG, Ernestina Menezes falou da questão emigratória numa perspectiva de género. Menezes referiu ainda que é preciso lutar “ diariamente, porque todos os países têm dificuldades. Mas é preciso deixar as pessoas irem ver o outro lado e ao mesmo tempo cuidar do nível de frustração que existe principalmente nos jovens. É preciso dar escolha aos jovens”, referiu.
Os que assistiram o documentário gostaram do que viram. A vice-presidente da FONG-STP, Arminda Bom Jesus, lamentou o facto de não ter havido muita aderência sobretudo dos jovens nesta actividade para depois centrar-se do documentário.

“ Fizemos bastante propaganda deste evento. Um tema tão rico, onde estão os jovens e mesmo a sociedade civil? Nós quando encomendamos esse trabalho, queríamos ter um número mais elevado de testemunhos, gostaríamos que fossem mais ao fundo da questão. Entrevistaram 9 pessoas, ficou um pouco aquém, mas de maneira geral gostei. Desafio a equipa a fazer um trabalho mais alargado no futuro”, concluiu Arminda Bom Jesus.
De salientar que as actividades da 6ª Quinzena da Cidadania continuam. Na segunda-feira está previsto uma conferência sobre “Caminhos para a Sustentabilidade do mar em STP”.

 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Feira do Livro na 6.ª Quinzena da Cidadania

Feira do Livro da 6.ª Quinzena da cidadania patente no Centro Cultural Português

No quadro da 6ª Quinzena da Cidadania que decorre em São Tomé e Príncipe, está patente no Centro Cultural Português até ao dia 28, uma feira de livros. Nela pode-se encontrar obras de diversos autores, tanto da literatura internacional, Ciências Sociais como da literatura infantojuvenil. Tem de tudo um pouco. Os amantes da literatura africana poderão se deliciar com obras de escritores são-tomenses e angolanos como São Lima, Mia Couto e José Eduardo Água Lusa.

Rita Cavaco em representação da Associação para a Cooperação Entre os Povos avançou que a feira tem uma oferta diversificada e que estão patente cerca de quinhentos livros diversos.

“Temos livros distintos desde a literatura africana, ciências sociais, portanto para público diverso apesar de nós termos apostado muito na literatura africana”, avançou.



O presidente da FONG-STP , Cristiano Costa referiu que a divulgação da literatura sobretudo africana é um dos objectivos desta feira de livros.

“ É uma forma de adquirir livros sobretudo dos autores de PALOP, uma vez que o nosso mercado é reduzido. Esta actividade está enquadrada na 6ª Quinzena da Cidadania e tem sido a tradição a realização de feira de livros. As pessoas podem se dirigir aqui para aquisição de diversos livros”, disse

A directora da Biblioteca Nacional e professora , Marlene Jose, sublinhou que gostou do que viu patente realçando que “tem muitas obras de autores africanos que os alunos não têm tanto conhecimento assim então venho a feira para adquirir as obras e ter um suporte para trabalhar com os meus alunos. Temos uma feira bastante diversificada e comprei duas obras uma do Mia Couto e outra de uma nigeriana que gosto muito. São autores que abordam aspectos culturais sobretudo da sociedade africana. É uma boa iniciativa e vai contribuir para incentivar a leitura e aumentar a capacidade de escrita dos alunos”, referiu.


Ainda no quadro das actividades desta 6ª Quinzena da Cidadania está previsto para esta quarta-feira a um workshop sobre o assédio em São Tomé e Príncipe. Uma actividade que irá decorrer a partir das 15h.30 minutos na Reina ( rede de incubadora).

De realçar que a 6.ª Quinzena da Cidadania é organizada pela FONG STP, a Associação para a Cooperação Entre os Povos, a Associação dos Jornalistas Santomenses e a Associação Santomense de Mulheres Juristas no quadro dos projectos “Melhor Governação, Mais Direitos, Mais Cidadania” e “Observatório das Políticas e da Governação de São Tomé e Príncipe” e conta com o apoio da União Europeia e da Cooperação Portuguesa.

6ª Quinzena da Cidadania debate “Vida Digna e Participação”

            

                               Arranque da 6ª Quinzena da Cidadania em STP

Sob o lema “ Vida Digna e Participação”, o Centro Cultural Português com plateia cheia foi palco da conferência inaugural da 6ª Quinzena da Cidadania. Um evento de duas semanas que procura contribuir para o reforço da participação das crianças, jovens e adultos na vida democrática em São Tomé e Príncipe. 

O presidente da FONG-STP começou por referir que a Quinzena reflete a resiliência da sociedade civil. 

 “A 6ª Quinzena procura contribuir para a construção de uma sociedade democrática livre e com envolvimento de todos”, defendeu Cristiano Costa

Representante da Cooperação Portuguesa, Celeste Sebastião referiu que esta 6ª Quinzena da Cidadania pretende reforçar a participação das organizações da sociedade civil que “não estão directamente no projecto.  Esta conferência proporcionará um fórum de reflexão relevante sobre um tema que é crucial para todos, assim como ao longo de toda a Quinzena.”

 

Já Nelson Dias, em representação da Associação para a Cooperação Entre os Povos destacou que a 6ª Quinzena da Cidadania é uma celebração da democracia e da cidadania, pois toca no essencial que é o “ acesso universal dos serviços, customizar os serviços e democratização de próprio serviço. Olhar para as pessoas como parceiros e co- produtores dos serviços públicos. Quando colocamos na agenda o tema da participação pública estamos a dizer que o Estado pode contar com a sociedade civil como parceira na co-produção dos serviços públicos”, disse

 A ACEP entende ainda que a participação é em si um serviço que é “prestado ao país, um serviço prestado à democracia. O acesso à participação é o exercício de um direito humano essencial. Todos nós temos que trabalhar em conjunto no sentido de colocar na agenda de quotidiano”, reforçou Nelson Dias

 Durante o seu discurso David Morrucci, em representação da embaixadora da União Europeia enalteceu o tema escolhido para esta Quinzena.

“O tema escolhido este ano é suficientemente abrangente para que todas as organizações da sociedade civil possam dar o seu contributo. É um palco também para reforçar e alargar a participação das organizações da sociedade civil que não estão directamente envolvidas na implementação do projecto mas que terão muita contribuição a dar ao longo destas duas semanas.”


A 6ª edição terá a tradicional feira do livro,  um debate televisivo sobre a aprovação da Lei de Acesso à Informação, um workshop sobre assédio em São Tomé e Príncipe,   além de um concerto da  Orquestra Infantil Rizoma e a exibição do documentário “Entre Dois Mundos: Histórias de Emigração de São Tomé e Príncipe a Portugal”. 

A ministra da Educação Cultura e Ciências , Isabel Abreu que presidiu o acto apelou à participação das pessoas para este evento nacional “ quero apenas apelar aos participantes, à sociedade civil de uma maneira geral, aos políticos de modo a cingirem no tema escolhido durante a Quinzena. Gostaria de convidar toda a sociedade a participar  neste evento e a contribuir de forma a melhorar o nosso processo participativo e ao mesmo tempo o desenvolvimento do país”, referiu a responsável política.

Durante a conferência de abertura da 6ª Quinzena da Cidadania foram apresentado os principais resultados de relatórios sobre direitos humanos no país. Uma actividade que gerou debate acesso e contou com as experiências de convidados vindos de Moçambique e Guiné-Bissau. 




terça-feira, 12 de novembro de 2024

Arranca 6.ª Quinzena da Cidadania dedicada à Vida Digna e Participação

Arranca no próximo dia 15 de Novembro a sexta edição da Quinzena da Cidadania sob o lema “Vida Digna e Participação”, realizada no âmbito dos projectos “Melhor Governação, Mais Direitos, Mais Cidadania” e “Observatório das Políticas e da Governação de São Tomé e Príncipe”.

A quinzena da cidadania é um evento que procura contribuir para o reforço da participação das crianças, jovens e adultos na vida democrática em São Tomé e Príncipe. 

A 6.ª edição terá a tradicional feira do livro, conferências, apresentação dos principais resultados do relatório  sobre o acesso aos Direitos Humanos em São Tomé e Príncipe , um debate televisivo sobre a aprovação da Lei de Acesso à Informação, um workshop sobre assédio em São Tomé e Príncipe,   além de um concerto da  Orquestra Infantil Rizoma e a exibição do documentário “Entre Dois Mundos: Histórias de Emigração de São Tomé e Príncipe a Portugal”, entre outras actividades.

Destaca-se ainda a realização da conferência “Caminhos para a Sustentabilidade do Mar em São Tomé e Príncipe” e o diálogo institucional para a implementação de uma experiência de orçamento participativo ao nível de local.  

As actividades serão realizadas na capital e nos distritos de Lobata, Lembá e Caué com o envolvimento de associações assim como as autarquias.  

A 6.ª Quinzena da Cidadania é uma iniciativa da Federação das ONG’s em S. Tomé e Príncipe (FONG STP), da Associação para a Cooperação Entre os Povos, da Associação dos Jornalistas Santomenses e da Associação Santomense de Mulheres Juristas, à qual se associaram outras organizações da sociedade civil e conta com apoio da União Europeia e da Cooperação Portuguesa.

PROGRAMA COMPLETO

sexta-feira, 14 de junho de 2024

FONG participa em Oficina sobre tendências da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento

A Federação das Organizações Não Governamentais de STP, FONG-STP irá participar durante três dias na Oficina sobre Tendências da Cooperação Internacional para o desenvolvimento em Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe que irá decorrer nos dias 18, 19 e 20 deste mês na sede da Plataforma das ONG´s de Cabo Verde. 

A FONG-STP estará representada no evento pelo secretário Permanente Eduardo Elba e pelo Técnico de comunicação Alexandro Cardoso.



Durante os três dias irão debater entre outros assuntos as principais tendências, continuidades e rupturas do sector da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (CID) em Cabo Verde, na Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. A oficina pretende ainda facilitar uma análise crítica do sector, discutir o seu papel no desenvolvimento sustentável e perspectivas futuras.

O certame é uma parceria entre a Associação para a Cooperação Entre os Povos, a Plataforma das ONG’s de Cabo Verde, a Casa dos Direitos, representada pela Tiniguena – Esta Terra é Nossa! e a Federação das ONG’s de São Tomé e Príncipe. Realiza-se no âmbito do projecto “Construir em Parceria: Sociedade Civil em Rede em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe”, financiado pelo Camões I.P.

O projecto tem como objectivo central contribuir para um ambiente mais favorável ao exercício da participação e à melhoria da governação e da prestação de contas das políticas de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento em Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, a partir da intervenção das Organizações da Sociedade Civil (OSC). Pretende ainda contribuir para o reforço de sinergias e potenciar o trabalho entre redes de organizações da sociedade civil nos países acima referidos para a promoção da participação pública e da boa governação.



De realçar que a delegação são-tomense que irá tomar parte no evento deixará o país este sábado.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Crianças vulneráveis clamam por mais atenção das autoridades

As crianças têm o direito de viver e crescer num ambiente familiar que proporcione apoio. O carinho e o estímulo são componentes críticas do desenvolvimento e crescimento saudável de uma criança. Metade das crianças vive em agregados familiares com ambos os pais biológicos e 42% têm pelo menos um dos pais a viver no estrangeiro ou noutra parte do país. Apesar destes indicadores muitas crianças ainda vivem em condições precárias e são acolhidas em lares e casas de acolhimento para crianças e jovens.A Fundação Novo Futuro acolhe no momento 18 crianças dos 3 aos 16 anos de idade. Katya Calege e Fátima Gomes, lidam diariamente com estes meninos que além de necessidades básicas clamam por afecto.

“ Estamos com muitas crianças que foram abandonadas pelos pais, outras que os pais não têm condições para cuidar. Os meninos vivem directamente aqui. Eles ficam a deriva e cabe a nós damos o suporte. Além de tudo proporcionamos também educação de qualidade para os nossos meninos”, disse Katya Calege



Além da falta de água corrente na Fundação situada em Budo-budo, os meninos carecem de “roupas, géneros alimentícios, porque o que conseguimos não é suficiente. Tem que haver um assumir por parte das autoridades para nos apoiar também. Nós fazemos muito e sozinhos não conseguimos dar a estas crianças vulneráveis o que precisam”, concluiu Fátima Gomes

A associação para reinserção de crianças abandonadas e em situação de risco-ARCAR, tem um centro de acolhimento em Mesquita que alberga no momento 50 rapazes dos 4 aos 17 anos.

“ Os meninos vivem aqui e quando atingem a maioridade voltam para casa dos familiares, ou vão para outros locais escolhidos por nós para que não se percam. Aqui eles estudam, fazem todo o percurso deles e temos aulas de apoio também”, explicou Balbina Trindade, responsável de ARCAR




A instituição tem parceria com a cooperação portuguesa e o governo, mas este último pouco ou nada tem feito para ajudar.

“O apoio de governo tem sido muito fraco. Se não fosse a cooperação portuguesa não estaríamos a existir mais. Governo fica muito tempo sem nos dar apoio e quando o faz é uma coisa irrisória e daí que temos de racionalizar a alimentação dos meninos. Nós fazemos o papel do governo. Para manter isso diariamente não é fácil e o governo precisa nos ajudar”, disse Trindade

Além disso, têm centro socioeducativo em Mulundo e Bairro da Liberdade “com cerca de 80 crianças que damos educação, alimentação e ficam lá até as 17 h. É muito complicado quando não tempo apoios suficientes”, rematou Balbina Trindade

“ Lutar por famílias mais estruturadas, combate ao abandono escolar e luta pelos direitos das crianças “ são as prioridades da Fundação da Criança e da Juventude. A ONG trabalha com crianças vulneráveis, mas “com muito talento e podem ir longe, se tiverem oportunidades. Por isso, o nosso foco é dar-lhes educação. Trabalhamos durante o dia, os meninos depois de regressarem da escola, temos aulas de apoio, actividade extracurricular e não só. Depois regressam as suas casas. Fazemos também acompanhamento das crianças para percebermos se estão a passar por alguma situação de violência ou maus tratos”, avançou Inês Fernandes, voluntária da instituição




Com apoio de alguns parceiros têm conseguido realizar as suas acções.

“ Através do projecto RIZOMA temos conseguimos fazer com que as crianças mostrem o seu potencial. Fazemos campanhas de sensibilização sobre os direitos e ambiente. Temos uma parceria com cerca de 7 ministérios e tentamos trabalhar em conjunto para o combate ao abandono escolar e a proteção dos menores. Não é uma tarefa fácil”, frisou Inês Fernandes

Assim como as instituições em cima referidas, existem no país várias outras caritativas e sociais que preocupam com as crianças vulneráveis e as acolhe. A Casa dos Pequeninos em Obôlongo, gerido pela Cáritas é outro exemplo. Acolhe mais de 20 crianças abandonadas, inclusive tem bebés neste momento.

A protecção e desenvolvimento da criança deve ser um compromisso nacional.

Dedier dos Santos, director do Gabinete de Estudo, Planeamento e Coordenação de Parceria do Ministério do Trabalho e da Solidariedade avançou que o governo nem sempre tem condições para dar o apoio que as instituições precisam.

“O governo não consegue abraçar tudo. Por isso, temos estas casas de acolhimento como parceiros. Algumas destas casas de acolhimento têm apoios da cooperação portuguesa através do nosso ministério. Nós temos que apoiar mas nem sempre conseguimos“, disse

O Director do gabinete de estudo, planeamento e coordenação de parceria do ministério do trabalho e da solidariedade frisou ainda que é preciso que haja pessoas também capazes de adoptar as crianças “existentes nestes lares para que haja espaço e oportunidade para outras crianças que necessitam ser acolhidas. Temos facultado o ingresso de muitos meninos de ARCAR por exemplo a universidades, enfim. As crianças não entram nos projectos para ficarem lá para sempre. Têm de sair e ser acolhidas para dar possibilidade a outras que também precisam. Governo tem tido alguma dificuldade, mas estamos a fazer mediante as possibilidades do país”, rematou

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Dia Internacional da Imprensa em S. Tomé: Jornalistas acusam os governantes pela degradação da classe


Os jornalistas são-tomenses acusaram os sucessivos governos de serem os responsáveis pela degradação da classe. No evento realizado recentemente para assinalar o Dia mundial da liberdade de imprensa, o jornalista e diretor do Jornal Tela Nón, Abel Veiga acusou a classe política de transformar muitos jornalistas em marionetes.

“Os políticos, dirigentes desse país é que são os responsáveis pela desunião, pela degradação desta classe. Há muita gente da nossa classe profissional que se transformou em marionetes dos políticos deste país e fazem os jogos dos políticos, por isto é que a classe e a comunicação social deste país estão desfeitas e não vão a lado nenhum, por causa da interferência e dos jogos dos políticos”, afirmou Abel Veiga.



O director do jornal Tela Non foi mais longe dizendo que “eles querem que a coisa fique assim, para terem as pessoas nas mãos para manipular, para usar, para financiar (…) é esta a realidade”, concluiu.

O padre Vicente Coelho, responsável pela Rádio Jubilar-emissora católica, também denunciou a falta da liberdade de imprensa no país e das várias cartas de ameaças que tem recebido. O pároco da igreja da Sé que foi um dos oradores na conferência, para falar sobre o papel da comunicação social no fortalecimento da democracia considerou ser “uma perca de tempo se falar de liberdade de imprensa. Aqueles que se exprimem livremente são sancionados, marginalizados. Quem não pensa como aquele que governa é visto como inimigo”, disse Vicente Coelho

As denúncias foram feitas no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, durante a conferência sobre “Liberdade de Imprensa e Cidadania – Desafios e Responsabilidades”, promovida pelo Conselho Superior de Imprensa, Sindicato e a Associação dos Jornalistas Santomenses.





À margem da actividade e ainda em relação à data, a jornalista Vivalda dos Prazeres apelou “persistência” à classe, uma vez que o jornalismo é “parte fundamental da construção do processo civilizatório e que com ele a democracia ganha sempre um olho vigilante. Os colegas devem ser unidos, ter sigilo profissional. Existe um excesso de interferência da política na Comunicação Social. Isso é claro e não podemos esconder. Usam o seu poder para ter a média no seu controlo e instalam medo, subornam os profissionais, enfim. Devemos ser fortes”, concluiu Vivalda Prazeres.