A professora Alda Bandeira analisa a relação entre o poder local e a sociedade civil santomense, e a participação dos cidadãos na governação local. Explica as formas de participação e como as organizações devem estar mobilizadas para que a participação se faça.
Sociedade Civil STP (SCSTP): Que diagnóstico faz, em termos de
participação na governação, da sociedade civil santomense?

Alda Bandeira: Nós temos que
separar dois aspectos. Primeiro, é que a sociedade civil em São Tomé e
Príncipe, enquanto sociedade organizada, ainda está na sua fase preliminar.
Podemo-nos dar por satisfeitos porque a evolução tem sido bastante positiva.
Partindo de uma situação em que o cidadão não tinha noção de que tem maior
chances de alcançar os seus objectivos se estiver organizado, agora as pessoas
começam a organizar-se. E hoje há uma tendência muito grande das pessoas se
juntarem e criarem associações, grupos comunitários, e isso é bastante
positivo. Agora, o poder local e regional, também ele está progredindo. Ainda
não temos uma organização do poder local igual a países que têm esse processo
já há muito tempo. Portanto, ele também está a evoluir lentamente e
naturalmente que a situação hoje não é igual a 1992 quando se iniciou. Já há
por parte dos quadros nacionais a inclinação para se disponibilizar para darem
a sua contribuição a esse nível, o que é bastante bom. Porque o poder local, em
democracia, chega a ser onde o poder está mais próximo da população e portanto
tem maiores chances de contribuir de facto para haver mudanças significativas a
nível do bem-estar e do progresso dos cidadãos.
A situação relativamente a
participação da sociedade civil no governo local é ainda incipiente. Não é ao
nível do que podemos ver nos países nórdicos, na europa por exemplo. Aqui em
África, haverá países com maior intervenção da população organizada no poder
local do que nós. Como é que a situação está realmente? Neste momento existem
as organizações ao nível de todo o país, mas não há uma relação directa e
intencional do poder local assim que é instalado, a partir das eleições, para
procurar essa articulação com a sociedade civil. Eventualmente com a participação
mais ou menos presente do poder local, mas ainda carecemos de uma estrutura
articulada entre o poder local. Cada uma das autarquias e a região não têm logo
como preocupação fazerem um senso de todas as organizações que existem ao nível
local e estruturar esta presença de uma forma racional e consequente.
SCSTP: No seu entender, qual deve ser a relação entre o poder local e a
sociedade civil?